Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013

Salmão fumado em casa com risotto

Jantares a um, oportunidade perfeita para testes mais, ... ousados. No dia anterior tinha havido Alheira de Caça à Braz, e muita animação à mesa, precisava de um momento zen... 

Também gosto de fazer experiências com vários comensais, mas há coisas que não me importo, antes prefiro, testar nas "noites para mim". E foi o caso deste Salmão. há muito que pensava em fumados caseiros, mesmo sem apetrechos especiais. Acabou por ser feito numa frigideira tipo wook, com tampa, e uma grelha em equilibrio "relativamente estável", presa entre a frigideira e a tampa.


A técnica é muito simples, cobri com duas folhas de alumínio o fundo da frigideira, chá gorreana, tomilho e alecrim, e açucar mascavado. O açucar, ao "queimar", acaba por queimar também "os verdes" e libertar-lhes o sabor. Grelha sobre a frigideira, e tampa para reter o fumo. Deixei menos de 10 minutos, talvez uns 6 minutos, ... confesso que aquilo faz um bocadinho de espécie, saber que se está a queimar tudo, que o salmão está ali a levar com aquele fumo, ... mas o resultado final é delicioso. Agora que perdi já o medo e a vergonha passarei a deixá-lo ficar uns 10 minutos.

Como me mantinha relutante em vários aspectos, acabei por selar o lombo dos dois lados, em frigideira muito quente, com azeite e sal, e servi com um risotto super simples, que o acompanhou na perfeição.

O resultado é delicioso! Tanto em termos de textura como de sabor, a repetir...

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013

Alheira de caça à brás

Alheira e brás, ... há lá duas coisas mais versáteis que estas? Gosto de juntar as duas.


De preparação como qualquer brás, azeite, cebola, alho e louro, no fundo de uma panela, para amolecer a cebola até ficar translúcida., retirar o louro, e adicionar a alheira de caça, esfarelada à mão, de forma a caçar ossinhos. Deixar envolver a alheira e a cebola, acrescentar batatas fritas tipo palha, envolver, e acabar com ovos batidos, com sal e pimenta.

Uma caminha de grelos salteados acompanhou o prato, que acompanhou um animado serão.

Alinea

Muitas vezes oiço "tu devias era abrir um restaurante". Sorrio, agradeço o elogio, e comprometo-me a enviar o primeiro video deste post ao interlucotor. E assim começa muitas vezes a tentativa de explicar por palavras o que conheço dos videos que se seguem...



Abençoado Blog, agora tenho uma referência para "continuação de conversa" :)

No Alinea pontifica um dos meus chefes preferidos, Grant Achatz, ... Se acho que vale uma viagem a Chicago? Acho. Nem que tenha de dormir num hostel em camaratas, para poupar para a viagem.

O primeiro vídeo que me chamou a atenção para este restaurante e este chefe foi o seguinte, trata-se de servir a sobremesa, "musse de chocolate", fumegante e partida sobre uma mesa onde estão já "os acepipes", servidos sobre uma toalha especial, à frente do freguês.


É espectacular ver as pingas a aquadradarem, ... :) como é espectacular a forma como o chefe se despede dos comensais, depois de explicar cada ingrediente do prato: "have fun".

E é precisamente disso que se trata no Alínea. "Fun". É um espectáculo, servido em 20 e tal "actos", acabando sempre com uma final desert daquele calibre, ou deste:


E esta ideia de espectáculo é também reiterada pelo tipo de reserva actualmente em vigor, ... não se reservam mesas no Alinea, no Alinea compram-se (com muuuuita antecedência) bilhetes, para uma mesa de x pessoas, com o valor de cerca de 250 USD/pessoa. O preço do bilhete não inclui impostos, grojeta, e... bebidas, ... ups.

Mas é um espectáculo! "Diversão" é a palavra de ordem. Impossível reconhecer o que raio é servido no primeiro olhar.

E, ... basicamente, alguém que se lembra de servir maçã verde com esta forma, merece toda a minha consideração e apreço! :)


E para quem ficou com água na boca, um pequenino programa com o Chef, e o making of da musse de chocolate que fumega, um boneco de neve de limão, e um prato servido sobre uma almofada com cheirinho a relva acabada de cortar, é ver este vídeo:



Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013

Entrada de Salmão

O título desta "receita" também podia ser "diz que é uma espécie de sashimi" já que o prazer que se retira é muito semelhante. É um encher de boca de salmão "cru", aquele sabor, aquela textura... :) aquela abundância de mar! :)


Forma de fazer, super simples, super rápido. Descongelar filetes de salmão, que é coisa para ter sempre em casa, partir em cubos grandes, um corte longitudinal, e os restantes de acordo com o objectivo de formar cubos. Deitar numa saladeira ou prato de sopa, e envolver com molho de soja e azeite virgem extra.

Ficaram assim por cerca de 20/30 minutos, tempo que foram remexidos e envolvidos amiúde:


Entretanto, pasta de wasabi, denso, para fazer pequeninas bolinhas, pedacinhos de salmão colocados no prato ou travessa de servir, um palito por unidade, uma bolinha de wasabi, e um pouquinho de ovas vermelhas, para realçar o sabor marítimo desta entrada. 


E por fim, o molho da marinada (que nao deve ser muito agitado para que não "emulsione" a mistura e fique sem graça na travessa) e cebolinho fresco, cortado na hora (de preferência directamente do vaso, passando naturalmente por água e enchugando bem).

O resultado final, para além do bom aspecto, acabou por dar início a um jantar só de entradas, na óptima companhia do amigo D., antes da sua partida para terras d'índios, daqueles do índico... :) 




Domingo, 27 de Janeiro de 2013

Pataniscas de alheira com arroz de grelos

Um daqueles jantas cuja comida dá para esticar, assim como a companhia. Acabamos por ser 5 à mesa.


Como adoro alheira e adoro variações na forma de a comer, lembrei-me de fazer este prato, uma estreia nos caminhos da patanisca, e um reencontro com a habitual alheira de caça. 

À falta de referências na arte da patanisca, fui cuscar ao "outras comidas", que uso mais do que o "cozinha tradicional portuguesa" da Maria de Lurdes Modesto, quer pelo contexto que é dado a cada receita quer pela facilidade de as encontrar à distância de um clique, usando-as sempre para inspiração, com toda a confiança. De lá saíram as referências para o polme.

Acabei por fazer assim:
2 alheiras de caça, picadas com uma faca, a cru, postas a cozer em água. Retiradas da água (uma rebentou, foi passada no escorredor...), a gordura que ficou ao cimo foi retirada e foi deixado um pouco da água de cozer as alheiras a arrefecer.

Para o polme, juntei sobre uma quantidade desconhecida de farinha, vamos admitir 300g de farinha branca de trigo e 100g de farinha integral, uma colher de chá de bicarbonato, 3 ovos, sal, pimenta e um pouco da água das alheiras. foi tudo misturado, com colher de pau, até atingir uma consistência que "deve ficar muito menos líquido que o para crepes, mas, ao deitar na frigideira deve escorrer francamente da colher, sem qualquer tipo de ajuda", como sugere o Luis do "outras comidas". Foi posta no frigorífico a repousar.

Entretanto, grelos a escaldar em água a ferver com sal, escorridos e reservados. 

Azeite no fundo de uma panela, uma cebola cortada lá para dentro, deixada a alourar, e de seguida o arroz, para fritar um pouco, e água a ferver. Foi tudo a olho, precisou de mais água a ferver no final da cozedura. Com o arroz quase no ponto, uma noz de manteiga, os grelos, tudo bem mexido e o fundo da panela foi refrigerado, só para parar de cozer o arroz, mas de forma a não permitir que o conteúdo arrefecesse. Aguardou pouco tempo pelas pataniscas.

A mistura do polme foi retirada do frigorífico, foi misturada com as alheiras e colocada numa frigideira, em pequenas porções, com óleo muito quente. Em menos de nada fritaram de um lado, foram viradas, fritaram do outro, foram retiradas, foi repetido o processo até acabar o preparado polme+alheira, e foram servidas, na mesa, sobre o arroz de grelos. 


O resultado gastronómico foi delicioso, bem como todas as conversas que o acompanharam! :)

Nota dietética (?!?! :) ) : o consumo deste prato foi precedido pela ingestão de "fibras activadas", que reduziram a assimilação de gorduras, sem reduzirem o prazer de comer :)




Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013

Jantar vegan, bifes de seitan com molho de pimentas

Grande amiga, F, de volta à cidade, mais de dez anos depois... Convite para jantar e pôr a conversa em dia. Pensei imediatamente em fazer "migas de chouriço", super mega rápido, e que dá para adiantar serviço um pouco antes do jantar, para dar tempo para a tão desejada conversa. Um segundo telefonema/mensagem dizia um telegráfico "ah! esqueci-me de dizer que não como carne nem derivados, a comida tem de ser vegan" ... ups! :)

Felizmente é raro faltar seitan ou tofu em casa,de maneira que rapidamente foi pensado e preparado este prato, que pela foto dificilmente seria tomado por vegan.


Batatas lavadas e postas a cozer com a casca, sal, alho esmagado e louro.

Seitan cortado em forma de pequenos bifes, a fritar em azeite e alho numa frigideira. Assim que ficou corado e crocante dos dois lados foi retirado o seitan, e colocado entre dois pratos, para manter a temperatura. Foi acrescentado algum vinho branco para "limpar" a frigideira, "natas de soja" e grãos inteiros de pimenta verde e de pimenta vermelha, e foi deixado a apurar em lume brando, a apurar e a ganhar a consistência desejada. Antes de servir foi rectificado o sal e pimenta preta moída.

Para empratar foi só colocar os "bifes" sobre o prato, regar com o molho. Acompanharam as batatas "abertas" (faço isto com um esmagador manual de batatas, que evita que me queime e permite fazê-lo devagarinho de forma a não esborrachar a batata), temperadas com azeite e sal preto, e umas folhas de alfaces variadas.

Serviu para acompanhar uma conversa de pôr em dia, somando os dois, quase 30 anos de vidas.

Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

Talharim com molho de shitake e cogumelos do bosque

Jantar vegetariano, admitindo natas e queijo... Cogumelos secos, à espera de ocasião na dispensa... Talharim, perfeito para pratos de massa com molhinhos apetitosos, ... Conjugação perfeita! :) 


Umas horas antes do jantar, hidratar os cogumelos em água. Usei uns clássicos shitakes com uma mistura de cogumelos do bosque. Estes últimos hidratam mais rapidamente, espalhando o sabor mais rústico pelos restantes cogumelos.

Os shitake, depois de hidratados, foram cortados ao meio, e retirados os pés. 

A água de hidratar os cogumelos serviu para cozer a massa, acrescentando mais água a ferver, e sal.

Entretanto, grande sertã com azeite, ao lume até este fumegar (o objectivo era fritar os cogumelos, e não cozê-los). Cogumelos lá para dentro, a saltear com lume forte. Adicionei uns pedaços de trufa picadinha nesta fase. Mantendo o lume forte, algum sal e pimenta do moinho.

Para três pessoas, juntei dois pacotes de natas "leves" aos cogumelos e baixei um pouco o lume, para deixar espessar.

Para dar alguma cor e sabor, um pouco de "mistura de cereais tipo café mas sem cafeína", porque eram horas de jantar, e não se pretendia dar a despertina a ninguém. Envolver bem.

Antes de terminar, já com o lume brando, e com o molho muito próximo da consistência desejada, uma pitada de queijo ralado compôs o ramalhete. 

Rectificar sal e pimenta, e servir imediatamente, sobre o talharim espalhado no prato.

Conversar só depois de acabar de comer... :)